Reposição do micronutriente reduz prevalência da tiroidite pós-parto nas gestantes predispostas
O selênio é importante na nutrição humana e animal. Está presente em uma enzima antioxidante (glutationa peroxidase), que atua impedindo a formação excessiva de radicais livres e no controle de processos envolvendo estresse orgânico. Também é necessário na tireóide, atuando na conversão do hormônio T4 em sua forma mais ativa, T3.
A ingestão recomendada a um adulto é de 55 a 70 mcg (microgramas), e as principais fontes nutricionais onde ele está presente são a castanha-do-Pará (que contém 120 mcg em apenas uma unidade), nos frutos do mar, aves e carnes vermelhas, além de nos grãos de aveia e no arroz integral.
Sue deficiência pode causar dores e sensibilidade muscular, alterações no pâncreas e, estudos relatam, maior suscetibilidade em alguns casos de câncer. Seu excesso, em contrapartida, provoca fadiga muscular, alterações vasculares, queda de cabelo, unhas fracas, alterações no esmalte dos dentes, dermatites e vômito.
Devido à sua ação no sistema imunológico, combatendo os danos causados pelo excesso de oxidação, o selênio está associado à modulação de processos inflamatórios, como a tiroidite pós-parto. É uma doença caracterizada pelo hipertiroidismo seguida de hipotireoidismo, ambos transitórios ou permanentes. Ocorre em 5 a 9% das puérperas em até 12 meses pós-parto e é mais comum em mulheres já predispostas a desenvolver a doença, ou seja, que já tinham os anticorpos antitireodianos pré-existentes e, durante a gravidez, pelo aumento dos títulos destes auto-anticorpos, terminam com um distúrbio auto-imune precipitado por alterações imunológicas do puerpério. Pesquisas mostram a persistência do hipotireoidismo em 20 a 30% dos casos.
Em um estudo, realizado por Negro et al, 77 mulheres com anticorpos antitireoidianos foram suplementadas, durante e após a gestação, com 200 mcg de selênio ao dia. A prevalência de tiroidite pós-parto foi menor naquelas que usaram a suplementação (28,6%) quando comparadas às que não suplementaram (48,6%).
O autor concluiu que os resultados são promissores, mas ainda não se deve generalizar a suplementação como consenso a todas as gestantes, deverá ser uma indicação futura àquelas com sinais de tiroidite. Mas, o que deve, sim, ser uma prática, é a dosagem de hormônios na gestação e no puerpério, fazendo um rastreamento preventivo da tiroidite pós-parto.
Comecei a ter ganho de peso e, por meio de um exame, foi detectado um pequeno nódulo na tireóide. Neste caso a médica me indicou o uso de PURAN T4.
Será que fazendo uso deste medicamento terei perda de peso? Estou um pouco confusa em relação a esta situação. Dra. Glaucia, por favor, me esclareça?
Muito grata,
Marta
Prezada Marta, infelizmente não posso, por e-mail, diagnosticar ou opinar sobre o seu caso.
Cada indivíduo deve ser visto com cuidado e seu acompanhamento depende de uma anamnese (análise) detalhada, o que também inclui exames físicos e laboratoriais. A ética dos profissionais da saúde, que determina essa atitude, garante mais segurança e bem estar aos pacientes.
Posso apenas sugerir algumas idéias:
- O nódulo de tireóide tem características próprias que o tiroidologista saberá quando deve ser puncionado ou somente acompanhado pelo exame de ultrassonografia. Infelizmente, ainda não há trabalhos em tiroidologia que relacionam APENAS a presença de nódulos tiroideanos e ganho de peso.
- Atualmente, os trabalhos, em sua grande e séria maioria (embora alguns sejam controversos), não utilizam a reposição de levotiroxina (Puran T4, Synthroid, Levoid ou Euthyrox, por exemplo) para nódulos, visto que não interferem diretamente em seu aumento ou diminuição. Só o fazemos quando há um quadro de hipotireoidismo associado.
- A questão de sua variação de peso deve ser analisada com outras variáveis, como em uma dieta adequada (talvez buscar a ajuda de um especialista em nutrição) e, principalmente, na atividade física regular, como pode ter lido no post anterior a este (Mulheres: mais atividade física para manter o peso perdido).
Ficam as dicas!
Atenciosamente,
Dra. Glaucia Duarte.
eu tomo hormonio de tireoide (sythroid 88mcg) e gostaria de saber se um dia eu vou ficar boa.
Prezada Antonia,
Agradeço sua participação, mas infelizmente não posso, por e-mail, diagnosticar, nem opinar sobre seu caso. Cada indivíduo deve ser visto com cuidado e seu seguimento depende de uma anamnese detalhada e exames físco e laboratoriais. Faz parte da ética dos profissionais da saúde e para segurança e melhor bem estar dos pacientes. Posso apenas sugerir que o hipotiroidismo franco (ou seja, já instalado e com um diagnóstico inicial de TSH acima de 10mUI/L e/ou anticorpos anti tireóide positivos) deve ser sempre tratado com a reposição do hormônio tiroidiano (levotiroxina).
Porém, antes de se iniciar um tratamento para toda a vida, deve-se avaliar as possibilidades de um hipotiroidismo transitório, como pode acontecer em tiroidites destrutivas (subagudas, silenciosa ou pós parto), devido ao uso de medicações (iodo, lítio, amiodarona, contrastes iodados, estrágenos, corticosteróides, dopamina, entre outros), doenças graves ou mesmo pacientes hospitalizados. Seguindo as orientações do médico que lhe segue, com seus dados (anamnese, exame físico e laboratoriais), sua dúvida logo será esclarecida. Boa sorte.
Att.
Dra. Glaucia Duarte
Olá Dra Glaucia, gostaria se possivel de sua opinião sobre o meu caso.
A muito tempo estou brigando com a balança, pois estou bem acima do meu peso ideal (tenho 1.65 de altura e peso atualmente 84 kg), já me submeti a muitas dietas e medicamentos (dietilpropiona,sibutramina 15 mg, citalopram 20 mg, estes 2 ultimos estou tomando atualmente) com acompanhamento médico,e após um ano, realizei vários exames (como insulina basal, cortisol, urucultura, antibiograma, colesterol total e frações, glicose,TSH, os quais foram normis, mas no exame de anti TPO deu bastante alterado. Por isto, realizei uma ultrasonografia, cujo resultado foi: BÓCIO COM ALTERAÇÕES TEXTURAIS PARENQUIMATOSAS DIFUSAS (TIROIDITE?) e desde então tomo todo dia LEVOID 25 mcg. Minhas duvidas: é perigosa esta alteração? Seria bom tirar logo a tiróide? Como é o tratamento? Continuo tomando os meus medicamentos para emagrecer sem alterar mais ainda o meu caso? Quais os sintomas desta alteração pré e pós o medicamento Levoid? Muito grata.
Lisete,
Obrigada pela sua participação, mas espero que compreenda que a informação médica via Internet pode complementar, mas nunca substituir a relação pessoal entre o paciente e o médico. Pelas suas limitações, não deve ser instrumento para consultas médicas, diagnóstico clínico, prescrição de medicamentos ou tratamento de doenças e problemas de saúde. A consulta pressupõe diálogo, avaliação do estado físico e mental do paciente, sendo necessário aconselhamento pessoal antes e depois de qualquer exame ou procedimento médico. Não posso, por e-mail, diagnosticar, nem opinar sobre nenhum caso. Posso sugerir algumas idéias:
1-Somente Anticorpo anti TPO positivo não significa condição exclusiva para o tratamento. Ele é um marcador da auto imunidade tiroidiana e deve-se seguir com as dosagens de função tiroidiana (TSH, T4 livre).
2-Somente alterações difusas do parênquima numa ultrassonografia não configuram diagnóstico de tiroidite, porém há vários estudos correlacionando a hipoecogenicidade da tireóide (áreas mais escuras no parênquima vistas a ultrassonografia, veja em “O que realmente faz a ultrassonografia de tiróide”) e presença de tiroidite auto imune. Podem ser sugestivas, no seu caso, pela presença de anti TPO positivo. A ultrassonografia é um método adjuvante à clínica e as dosagens laboratoriais.
3- A tiroidite de Hashimoto ou hipotiroidismo auto-imune, se for comprovada pelo médico que lhe assiste, é de fácil controle com a reposição de levotiroxina (Levoid, em seu exemplo). Em tempo oportuno, que varia caso a caso, há melhora da clínica e, os exames laboratoriais podem mostrar-se mais adequados a cada 6-8 semanas (TSH). Não se retirada a glândula tiróide para tratamento do hipotiroidismo/ tiroidite auto imune.
4-Sobre a obesidade: sua variação de peso deve ser analisada com outras variáveis como dieta adequada (talvez buscar ajuda com uma nutricionista) e atividade física regular e, principalmente, permanente, como pode ter lido nos textos do blog [Mulheres: mais atividade física para manter o peso perdido e Mulheres obesas subestimam sua dieta].
Att.
Dra. Glaucia Duarte
Dra.,
Fiz tireodectomia total e tenho hoje 29 anos, estou usando puran t4 há 3 anos, faço acompanhamento com endocrinologista periodicamente, mantendo meu TSH e T4 livre normais. Gostaria de saber se tem algum problema por que , agora, estou grávida… esta medicação é teratogenica para o feto???
Minuchy
Minuchy,
Obrigada pela participação. A levotiroxina não é teratogênica, não faz mal algum ao feto. Ela é, para as mães hipotiroideas, essencial na reposição adequada dos hormônios da tireóide. Os hormônios tiroidianos, em níveis dentro da faixa da normalidade, garantem o bom desenvolvimento neurológico do bebê. Mantenha seguimento periódico com seu endocrinologista, para dar continuidade ao seu tratamento.
Att.
Dra Glaucia Duarte
Doutora Glaucia,
Fiz vários exames e em todos os meus níveis de anti TPO ultrapassam 200 mas os niveis de TSH e T4 são normais. Na ultrasonografia foi constatado Hashimoto. A minha prolactina está em 88. Apesar disso não estou tomando medicamentos pois a médica me disse que ele somente será necessário se quiser engravidar. Faço exercício regularmente (corro 1 hora e mais 1 hora de musculação todos os dias), não tenho uma alimentação muito desequilibrada e não consigo emagrecer nada. Tenho sintomas do hipotireoidismo: muito frio, prisão de ventre, fadiga. Realmente, o tratamento só é necessário se quiser engravidar?
Muito obrigada.
Erika,
Obrigada por enviar sua dúvida. Infelizmente não posso, por e-mail, diagnosticar, nem opinar sobre seu caso. Cada indivíduo deve ser visto com cuidado e seu seguimento depende de uma anamnese detalhada e exames físco e laboratoriais. Faz parte da ética dos profissionais da saúde e para segurança e melhor bem estar dos pacientes. Posso apenas sugerir algumas idéias:
-Os anticorpos positivos mostram a presença da auto-imunidade, mas não necessariamente a doença manisfesta, ou seja, não necessariamente o uso da medicação seja necessária. Mesmo porque a função tiroidiana normal [TSH, T4 livre], vem sendo seguida e os sintomas que descreve, podem não estar relacionados efetivamente com o hipotiroisdismo.
–A ultrassonografia tiroidiana é um exame complementar, pode ser sugestiva de doença auto-imune, mas não deve ditar o tratamento. Os trabalhos tem correlacionado imagens ultrassonográficas sugestivas de doença auto-imune e maiores títulos de anticorpos anti-TPO com maior evolução ao hipotiroidismo [já com alteração dos exames laboratoriais].
–Sugiro seguir a investigação do aumento da prolactina com seu médico e conversar sobre o gasto calórico de seu treino (ou mesmo revê-lo) versus a sua ingestão nutricional, para otimizar seu desempenho na perda de peso que deseja.
–Durante a gestação, a função tiroidiana deve estar adequada para o bom desenvolvimento neurológico do feto, entre outros.
Att.
Dra Glaucia Duarte
Bom dia ,
De alguns dias para cá venho notando que o meu suor aumentou, chegando até mesmo a gotejar. Pode haver algum envolvimento com a tireóide? Obrigado.
Prezado Vitor,
Obrigada pela participação. As glândulas sudoríparas são glândulas apócrinas, não endócrinas, e, portanto, o profissional adequado para lhe esclarecer dúvidas a este respeito é um dermatologista. As tiroidopatias podem aumentar a sudorese, especialmente aquelas ligadas à tireotoxicose, como, por exemplo, o hipertiroidismo. Mas, para esta confirmação, sugiro procurar o médico que lhe assiste, contar seus sintomas e , possivelmente, ele solicitará os exames para excluir as alterações tiroidianas.
Att.
Dra Glaucia Duarte