A não aderência no tratamento do diabetes depende do quanto se gasta em medicações
Cada vez mais, a preocupação mundial com o diabetes cresce, não só pelo grande impacto populacional que esta doença oferece, mas também pelo custo elevado no tratamento das suas complicações. Os trabalhos mostram que o aumento da mortalidade relaciona-se com um controle glicêmico inadequado e também com a não aderência nas medicações prescritas.
O TRIAD (Translating Research Into Action for Diabetes) é um estudo em indivíduos diabéticos, realizado em 10 planos de saúde americanos, para responder a pergunta: “nos últimos 12 meses, você usou menos medicações do que você queria ou do que lhe foi prescrito devido ao seu custo?”, analisando, atualmente, 5086 questionários. Nesta publicação do Diabetes Care, a resposta afirmativa a questão foi definida como ‘custo relacionado à medicação subutilizada’ e consideravam na avaliação a renda familiar mensal, custo médio mensal dos medicamentos, números de medicações utilizadas, idade, etnia, sexo, nível educacional, duração do diabetes, reembolso de prescrição e status de saúde. Os participantes tinham, em média, 64 anos e 54% eram mulheres. A raça dos participantes mostrou maioria (48%) caucasianos (brancos), mas havia negros (14%), latinos (14%) e asiáticos (15%). No geral desta população 14% respondeu “sim” à pergunta do estudo, e, dos indivíduos que tiveram dificuldade em usar a medicação receitada pelo médico devido ao seu preço, 23% eram latinos e 17% eram negros, comparados a 13% dos brancos. Além da etnia, outros fatores que influenciaram a resposta. Famílias com renda inferior a US$25,000 estavam 3 vezes mais predispostas a não fazer uso da medicação indicada do que as famílias com renda superior a US$50,000. Também as pessoas que gastavam mais de US$150 ao mês comprando medicações, subutilizaram ou mesmo não compravam (cerca de 4 vezes mais) os remédios quando comparadas aquelas que gastavam US$50 ao mês. Além disso, outros indicadores do mau uso dos remédios prescritos apontavam para o grupo das mulheres, indivíduos mais jovens ou pessoas que teriam mais de 6 tipos de medicações em uso por dia.
No Brasil, ainda não temos dados como neste estudo americano, embora, os atendimentos em consultório mostrem a mesma realidade. Não podemos generalizar, mas, possivelmente, a falta de controle para as complicações de várias doenças crônicas, como o diabetes, esteja fortemente ligada às disparidades sócio-econômicas e de custo dos remédios. A boa qualidade no cuidado a saúde requer do médico, além do conhecimento técnico, entender qual a capacidade econômica de seu paciente, para que ele possa mostrar aderência ao tratamento prescrito, ou seja, conseguir comprar a medicação que ele usará, e, ter uma maior chance de garantir um bom controle de sua doença.