- Quem deve e quem não deve tomar remédios para perder peso?
Decidir sobre a prescrição e o uso de um remédio para emagrecer deve partir sempre de um médico, após avaliar os benefícios e os riscos envolvidos em cada caso, em cada paciente. Apesar de contarmos hoje com várias opções de medicamentos mais seguros que os antigos, não existem remédios sem riscos.
Estudos comprovam que a obesidade pode trazer sérios problemas de saúde, na maioria dos casos esta relação risco-benefício será extremamente favorável, desde que realmente a pessoa esteja obesa. As diretrizes internacionais de obesidade são unânimes em recomendar o uso de remédios para pacientes com um IMC maior que 30 kg/m2 ou 25 kg/m2 com alguma doença associada, como diabetes, hipertensão ou colesterol alto. Para as pessoas que procuram um médico para emagrecer e estão dentro da faixa de peso considerada normal, não se deve usar remédios e sim medidas dietético alimentares e atividade física, mudança de hábitos de vida somente. Situações especiais devem ser analisadas pelo especialista.
- Por quanto tempo se deve usar os remédios para emagrecer?
Ainda não se consegue uma resposta direta a esta pergunta. Cada paciente é um caso e deve ser tratado individualmente. Existem opiniões que admitem utilizar determinados remédios pela vida toda, caso haja necessidade. Grande parte das medicações testadas em estudos, não tem seguimento longo. Na bula dos anorexígenos, por exemplo, está escrito que devem ser usados por poucas semanas, até no máximo três meses. Porém, se o paciente adaptou-se e teve sucesso, pode utilizá-los por mais tempo, desde que seja acompanhado de perto pelo médico e não tenha manifestado efeitos colaterais.
A sibutramina apresenta estudos com um máximo de dois anos de duração e o Orlistat, de quatro anos. Portanto, por segurança, não são usados por prazos mais longos. Claro que, para muitos, pode não ser necessário um prazo longo. Se uma mudança de hábitos de vida ocorrer durante um tratamento de seis meses com remédios a medicação poderá ser interrompida sem que o paciente recupere o peso perdido. Geralmente, os especialistas consideram um prazo de seis meses como suficiente para que tais mudanças possam estar interiorizadas e consolidadas pelos pacientes.
- Como é o funcionamento destes remédios?
Os remédios mais usados atuam inibindo o apetite, estimulando a saciedade ou bloqueando a absorção intestinal de gorduras.
Os que inibem o apetite (ou anorexígenos) são substâncias conhecidas como “anfetaminas”. Podem apresentar risco de dependência, apesar de ser relativamente rara quando utilizados adequadamente. Por razões de segurança seu uso foi proibido nos países de Comunidade Européia. Atualmente, os especialistas utilizam apenas para os pacientes que não obtiveram sucesso com a sibutramina e o Orlistat. No Brasil há três tipos: a dietilpropiona (ou anfepramona), o femproporex e o mazindol.
O segundo grupo (sacietógenos) reúne os medicamentos que agem no estímulo da sensação de saciedade, ou seja, o indivíduo sente fome, mas com uma porção menor de alimentos fica satisfeito, parando de comer mais cedo. A sibutramina é a mais conhecida do grupo, e que pode ter ação secundária para o emagrecimento: o aumento do gasto energético. é uma droga que, atualmente, está proibida na Comunidade Européia por descrições de complicações cardíacas em pacientes estudados. Já nos Estados Unidos e Brasil há restrições de seu uso (proibidos para pacientes com risco de doenças cardio ou cerebro-vasculares, diabéticos tipo 2 com risco para desenvolvimento de doenças cardio-vasculares). Outros sacietógenos são os anti-depressivos, como a fluoxetina e a sertralina, que cuidam da liberação de serotonina – um neurotransmissor que regula a sensação de saciedade. Embora não sejam considerados agentes anti-obesidade, são úteis em algumas situações, como na obesidade associada à depressão ou à compulsão alimentar. Neste grupo também se encontra o rimonabanto, conhecido como “pílula antibarriga”, que atua diminuindo o apetite e a formação de gordura na região do abdome. É contra-indicado em pessoas com histórico de depressão.
O terceiro grupo é o dos inibidores da absorção de gordura, representado apenas pelo Orlistat e o Cetilistate. Não restringe o apetite, pois não atuam no cérebro. Atuam na inibição da absorção intestinal de cerca de 30% da gordura ingerida. Com um bom controle de ingestão de gorduras, podem representar uma ajuda significativa, mas, ao comer demais, a tendência é não perder peso, porque os 30% de gorduras que deixam de ser absorvidas podem não ser uma deficiência calórica suficiente para a perda de peso.
Um quarto grupo seria o dos termogênicos, substâncias que agem principalmente aumentando o gasto calórico do organismo. Por razões de segurança e efeitos colaterais (aumento de freqüência cardíaca, aumento da oressão arterial, aumento da termogênese) têm sido pouco utilizados.
- Quais são os efeitos colaterais dos remédios para emagrecer?
Anorexígenos (anfepramona, femproporex, mazindol): efeitos resultantes do estímulo do sistema nervoso central, causando irritabilidade, insônia ou sono superficial, tremores, depressão ou se alternam períodos de estímulo com períodos de depressão (o que é mais incomum); ou do estímulo do sistema cardiovascular, causando aumento da pressão arterial e da freqüência cardíaca.
Sacietógenos: podem apresentar efeitos colaterais mais suaves que os anfetamínicos, causando insônia ou sono superficial, agitação, irritabilidade (que não é um sintoma freqüente).
Inibidores da absorção de gorduras: se a ingestão de gorduras for exagerada a pessoa apresentará fezes diarréicas e pastosas. Geralmente, tomado às refeições, o indivíduo elimina gotas de gorduras a cada evacuação.
- O hipotiroidismo engorda?
Um dos sintomas do hipotireoidismo é o aumento de peso, às custas de um acúmulo de substâncias chamadas glicosaminoglicanos e hialunônicos, responsáveis por carregar a água que estava no interstício celular para o compartimento extravascular. São responsáveis por formar um edema (“inchaço”) característico dessa doença. O ganho de peso limita-se a 3 a 5 kg e é revertido com o tratamento.
Antigamente, o hormônio da tiróide era utilizado em fórmulas para emagrecimento. Hoje já sabemos, por meio de estudos científicos, que o hormônio da tiróide - retirado das prescrições – podia causar mais prejuízos do que benefícios, se administrado a uma pessoa com funcionamento normal da tiróide que queira emagrecer.
Amei este site!!!!! Muito legal, os temas super interessantes, hoje aprendi um pouco mais sobre o hipotireoidismo, quero saber mais …e mais sobre o tema, obrigada!
Ieda,
Agradeço sua participação, espero corresponder, com os novos posts, suas expectativas. Fique de olho!
Att.
Dra. Glaucia Duarte
Boa Tarde Dra Glaucia Duarte
Gostaria de saber mais sobre o cetilistate.
Deise,
O cetilistate é uma medicação que inibe uma enzima chamada lipase gastrointestinal. Com isso, bloqueia a absorção de parte da gordura que ingerimos na dieta e não atua no sistema nervoso central, portanto, não restringe o apetite. Pode ser utilizado na dose de 60 a 120 mg, geralmente 3 vezes ao dia.
Obrigada por deixar sua dúvida,
Dra. Glaucia Duarte
Tomei o orlistate com topiramato e sinetrol, inexplicavelmente tive aceleração cardíaca….
Qual dos três pode ter causado isso? feito que nem o médico entendeu…
Prezada Erika,
Agradeço sua participação. Gostaria que entendesse que não posso opinar sobre nenhum caso por e-mail, posso apenas sugerir idéias, baseadas em literatura médica.
Primeiramente, cada indivíduo pode responder de maneira própria [às vezes, até diferentemente da maioria] ao uso de determinadas medicações, mesmo fitoterápicas.
Sinetrol® é um extrato patenteado de frutas alimentícias cítricas (laranja vermelha, toranja e citrus) e extrato de guaraná. É uma composição considerada, por muitos, além de lipolítica (inibe enzima catecol metil transferase), também “fat burner” (estimulo de receptores adrenérgicos beta 3), o que, teoricamente poderia, aumentar o metabolismo corporal para queima de gorduras.
Os receptores adrenérgicos são aqueles que se referem a adrenalina e noradrenalina. Os do tipo beta são mais responsivos as variações de adrenalina (presentes em vários tecidos do corpo; os beta 3, PREFERENCIALMENTE, estão presentes no tecido adiposo).
Realizarei aqui uma explicação HIPOTETICAMENTE possível [podem haver outras!], através do estudo da fisiologia dos receptores nervosos nas sinapses e do mecanismo de ação deste fitoterápico. Assim, o que pode ter ocorrido é o estímulo dos receptores beta em geral, gerando estímulo em outros sítios de receptores (beta 1: coração, beta 2: bronquios e vasos), e, neste estímulo dos receptores beta, responsivos à adrenalina, a resposta foi seu sintoma de aumento de frequencia cardíaca.
Além disso, devemos lembrar que o guaraná é rico em xantinas [cafeína]. Sobre o músculo estriado (o coração) promove maior produção de ácido lático, aumentando o consumo de oxigênio e, consequentemente, há uma contração muscular mais forte. Há muito sendo usado como ‘estimulante’, pode apresentar reações adversas como hipertensão, insônia, que poderiam também servir de estímulo para alterações adrenérgicas.
Att.
Dra Glaucia Duarte