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Archive for the ‘Geral’ Category

A impaciência dos doentes que querem ser consultados por trás de um computador…

Não é nada incomum recebermos pedidos de avaliações de exames e de opiniões diagnósticas por comentários em nosso blog. E, quando não encontram as respostas como queriam, alguns insistem ou agridem com novos comentários, desgostosos da vida, reclamando sobre a falta de resposta técnica sobre seu caso clínico. Outros poucos, mais ousados, dizem que a médica não precisa temer “perder dinheiro”, desrespeitando e mal entendendo o propósito de um espaço de informação médica séria e ética.

Promover a saúde é diferente de prestar consulta por e-mail ou telefone e o cuidado com a informação prestada e as suas relações já, há muito tempo, foi ementa do Conselho Regional de Medicina e pode ser facilmente consultada por todos, em livre acesso:http://www.cremesp.org.br/?siteAcao=PesquisaLegislacao&dif=s&ficha=1&id=3217&tipo=RESOLU%C7%C3O&orgao=Conselho%20Regional%20de%20Medicina%20do%20Estado%20de

Além disso, para aqueles mais atentos, puderam acompanhar pela mídia [sugiro um texto bem acessível:  http://noticias.r7.com/saude/noticias/conselho-proibe-consulta-medica-por-telefone-e-internet-20110818.html], a posição do Conselho Federal de Medicina, que, em minha opinião, foi uma garantia à confiança na relação médico-paciente – que se baseia em princípios morais – e evitando que haja qualquer desequilíbrio entre o nível de entendimento do paciente e a informação disponível, privacidade pessoal incerta ou mesmo informações médicas incompletas, tendenciosas ou imprecisas. Palavras podem ser claras para quem as escreve, mas nem sempre a mensagem chega assim para quem as lê.

Claro que também há benefícios nos websites gerais de informação em saúde e suas redes: as aplicações voltadas para a área educacional, acesso eqüitativo às informações, a transparência em disponibilizar conceitos que, se conhecidos pelos usuários, poderiam provavelmente afetar o entendimento e suas atitudes frente à doença.

Mas, o que gostaria de pedir aos usuários, que repetidamente confundem acesso à informações democratizadas com consulta médica propriamente dita, é que abram o precedente de pensar o que isto pode significar. Como expressar uma opinião de valor sobre uma pessoa que está doente, apenas olhando seus resultados de exames, sem conhecê-la pessoalmente em sua biografia e relações sociais, trazendo sua história clínica, sem examinar seu corpo? Não seria desumano dar um tratamento apenas “numérico” a um paciente? Será deste tipo de médico que alguém precisa? Ninguém quer ser mais um em nenhuma instância de sua vida. Porque as pessoas são únicas e importantes, sejam elas pacientes ou médicos.

Esta é a parte do post que responde porque não é “perder reais” ou uma mera questão financeira ou reserva de mercado que mantenho [como muitos bons colegas] a resposta: “Espero que compreenda que a informação médica via Internet pode complementar, mas nunca substituir a relação pessoal entre o paciente e o médico. Pelas suas limitações, não deve ser instrumento para consultas médicas, diagnóstico clínico, prescrição de medicamentos ou tratamento de doenças e problemas de saúde. A consulta pressupõe diálogo, avaliação do estado físico e mental do paciente, sendo necessário aconselhamento pessoal antes e depois de qualquer exame ou procedimento médico.”

Saber usar a distância entre as pessoas, estando escondido atrás de uma máquina que nos responde sobre quase tudo, pode ser uma grande saída para matar a saudade de um amigo distante, escolher o sapato de liquidação, acompanhar suas ações na bolsa. Garanto que também é um excelente meio de se atualizar – se pesquisar em bons sites –  sobre várias características das doenças. Mas são pessoas que ficam doentes. E cuidar é um ato de pessoa para pessoa. Não de pessoa para doença. Eu cuido. Exerço esta profissão. Ser profissional implica em ter honorários, dedicar-se ao estudo e pesquisa, gostar de gente. O bônus? Publicar posts para que muitos leitores possam compreender algumas das informações de saúde e endocrinologia. Boa leitura!

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Vencer preconceitos melhora a adesão ao tratamento e seus resultados 

Dois terços dos americanos estão acima do peso ou obesos, e no Brasil, os dados acerca do sobrepeso/obesidade demonstram um crescimento na sua prevalência entre as décadas de 70 e 90. Os dois aspectos mais apresentados como relacionados a este quadro são o aumento do fornecimento de energia pela dieta e redução da atividade física, configurando um “estilo de vida ocidental contemporâneo”. Mas, não bastando morbidades físicas, há uma oculta: a falta de apoio e julgamento com que muitos ainda tratam pessoas que se esforçam para perder peso.

Não é infreqüente o paciente ver-se na situação de que a única resposta que encontra é que a obesidade está na raiz de todos os seus problemas. A Dra. Rebecca Puhl, da Universidade de Yale e diretora do Rudd Center for Food Policy and Obesity, mostrou reclamações de pacientes sobre comentários em seus atendimentos: “você precisa aprender a ficar longe da mesa”, ou, comentário, em voz alta, enquanto o paciente estava na sala de espera: “se estas pessoas tivessem alguma força de vontade, não estariam aqui”. Nesta pesquisa, os pacientes obesos freqüentemente se sentiram estigmatizados nos serviços de saúde e eram mais propensos a evitar os cuidados preventivos de rotina, e quando o faziam, poderiam receber assistência comprometida. Assim, eles seriam vulneráveis à depressão, baixa auto-estima, ansiedade, e, consequentemente, menos propensos a sentir-se motivados a adotar mudanças de estilo de vida, envolvendo-se em padrões alimentares pouco saudáveis e evitando a atividade física, agravando o ganho de peso.

Simplificando, a comunicação inadvertidamente ostensiva ou formas sutis de preconceito, que afetam negativamente o cuidado com pacientes, deve ser reconhecida como grave, e os profissionais devem estar atentos em sua prática clínica. Mas, nem só nos consultórios presenciamos estas situações, cada vez mais, em supermercados, ônibus, cinemas, há olhares tendenciosos que sempre apontam para excesso de peso.

 

Estratégias que estimulam a boa interação e a perda de peso

É fundamental reconhecer as atitudes pessoais e suposições sobre o peso corporal, que podem gerar preconceitos ou estigmas. Pergunte a si mesmo:

• Preciso fazer suposições sobre o caráter, inteligência, saúde, estilo de vida ou comportamentos de alguém com base apenas no peso corporal?
• Estou confortável trabalhando/interagindo com pessoas de todos os tamanhos?
• Que tipo de feedback dou aos meus conhecidos/pacientes obesos?
• Sou sensível às necessidades e preocupações dos pacientes obesos?
• Quais são os estereótipos comuns sobre as pessoas obesas? Eu acredito que estas sejam verdadeiras ou falsas? Quais são as minhas razões para estas crenças?
Adotar uma comunicação eficaz é a chave para a prestação de cuidados de saúde com qualidade. Isso pode ser especialmente importante em pacientes obesos, principalmente aqueles que experimentaram as interações negativas com outros profissionais. É importante abordar as conversas sobre o peso corporal e a obesidade de forma sensível.
Pode ser difícil discutir sobre questões de saúde relacionadas ao excesso de peso, mas deve ser claro que toda a terminologia técnica usada não ofenda ninguém. Para que a conversa flua, o paciente deve se sentir confortável com os termos usados. Abordagens interativas, estilo de escuta empática aumentam a confiança, enfatizam a discrepância entre os objetivos pessoais e comportamentos atuais da saúde.
As perguntas abertas, sem julgamentos, amparam e aproximam as pessoas envolvidas:
• Como você se sente pronto para mudar seus hábitos alimentares e / ou comportamentos do estilo de vida?
• Como o seu peso atual afeta a sua vida agora?
• Que tipo de coisas que você fez no passado para mudar seus hábitos alimentares?
• Quais as estratégias que funcionaram para você no passado?
• Em uma escala de 1 a 10, como você estaria preparado para fazer mudanças em seus hábitos alimentares?
Respondendo a estas questões, a compreensão dos pacientes é mais clara e eles passam a ser agentes nas decisões que afetam sua saúde.
O tratamento deve também ser livre de preconceitos. Isso significa o reconhecimento de que a obesidade é produto de muitos fatores – uma interação complexa de contribuintes genéticos, biológicos, sociais, ambientais e psicológicos. Da mesma forma, é importante explorar todas as causas antes assumir que o peso corporal é o único alvo de intervenção.
Ao estabelecer as metas para o tratamento, a ênfase ocorre nas mudanças de comportamento e não apenas na diminuição de peso na balança. Definir metas específicas, realistas, mensuráveis e com respeito aos hábitos alimentares e atividade física aumenta a probabilidade de sucesso e mostra a importância da saúde ao invés de magreza. Finalmente, devemos discutir sobre benefícios da perda de peso que, mesmo pequena, pode resultar em uma melhoria considerável na saúde. Poucos dos pacientes muito obesos alcançam o peso “ideal”, mas muitos podem experimentar ganhos significativos para a saúde, com uma redução de 5% ou 10% no seu peso.
Buscar apoio, não só a gerência do peso, bem-estar, livre do estigma garante a dignidade e respeito num atendimento descomprometido de atitudes preconceituosas. O cuidado sensível e compassivo cria experiências de saúde que infundem esperança, ao invés de vergonha, nesta população de pacientes vulneráveis.

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A patologia gerada pela produção excessiva dos hormônios tiroidianos

         O Hipertiroidismo é a excessiva produção dos hormônios da glândula tiróide. Os sintomas mais comuns são nervosismo, irritabilidade, transpiração excessiva, pele fina, cabelos finos, dores musculares, tremores finos das mãos, taquicardia, aumento do apetite paradoxalmente à perda de peso, alterações do fluxo menstrual. Na doença de Graves (hipertiroidismo auto-imune), os olhos podem aparecer maiores inicialmente pela retração das pálpebras superiores, chegando ao caso mais extremo de “Exoftamo”, onde um ou ambos os olhos são comprometidos e têm aspecto de “saltados”.
 
            A causa mais comum de hipertiroidismo é denominada bócio difuso tóxico ou Doença de Graves, responsável por quase 80% dos casos de hipertiroidismo. Isto discrimina uma situação em que a glândula, como um todo, tem uma produção exagerada de hormônios tiroidianos e apresenta um caráter auto-imune. A presença de auto-anticorpos circulantes no sangue estimula a glândula tiróide a produzir excessivamente os hormônios e aumentar seu tamanho (bócio). Geralmente tem um caráter familiar.
Quando um ou mais nódulos da tiróide produzem mais hormônios tiroidianos são chamados respectivamente de nódulo tóxico autônomo ou bócio multinodular tóxico, e mostram um estado de hipertiroidismo.
Há uma condição que se apresenta com o hipertiroidismo em sua apresentação inicial é a tiroidite aguda. O consumo excessivo de hormônio da tireóide, a ingestão de alguns medicamentos contendo iodo em sua composição e consumo excessivo de iodo nutricional também podem levar ao hipertiroidismo.  

O diagnóstico laboratorial é realizado pela dosagem:

  • dos hormônios tiroidianos no sangue (T4, T3, T4 livre e T3 livre), que, no hipertiroidismo, encontram-se elevados.

 

  • do hormônio estimulador da tiróide, TSH, que estará abaixo dos valores normais de referência.

 

  • de anticorpos anti-tiróide ligados ao hipertiroidismo, incluindo o TRAb (no caso de Doença de Graves)

 

A cintilografia da tiróide é um exame que avalia do funcionamento excessivo da glândula tiróide e das causas do hipertiroidismo. Outro exame complementar é a ultrassonografia que mede o tamanho da tiróide e a presença de alterações anátomo-estruturais.

O tratamento deve ser individualizado e levar em consideração a idade, a causa do hipertiroidismo, a severidade e o tempo de diagnóstico do hipertiroidismo, doenças pré-existentes (cardiopatias, alergias).No Brasil há dois tipos de medicamentos anti-tiroidianos (tiamazol e propiltiouracil) que diminuem a produção excessiva dos hormônios tiroidianos, pois impossibilitam a entrada ou o aproveitamento do iodo pela tiróide e, como conseqüência, controlam o hipertiroidismo. Não é incomum os médicos associarem outros medicamentos (bloqueadores beta adrenérgicos) no controle do hipertiroidismo. Embora não diminuam os hormônios tiroidianos aliviam sintomas como: aumento da freqüência cardíaca e tremores de mãos.
Outra maneira de tratar o hipertiroidismo é administrar, sob a forma líquida ou em cápsulas, o iodo radioativo que destrói as células que produzem o hormônio da tiróide. Após semanas, a glândula diminui seu tamanho e a produção hormonal também diminui. São poucos os pacientes que necessitam uma segunda dose para seu controle e é comum ocorrer, após alguns meses da administração do iodo radioativo, a evolução para hipotiroidismo.
 O tratamento cirúrgico, com retirada parcial ou total da glândula pode ser empregado, especialmente em casos de recidiva da doença e/ ou falência do emprego dos medicamentos ou do iodo radioativo.

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A saúde mostra o caminho: menor peso para uma vida longa e saudável

  

 

Os resultados de uma pesquisa com adultos mostraram que muitos sabem que suas chances de desenvolver doença coronariana e diabetes crescem quando estão acima do peso, mas apenas 25 por cento daqueles pesquisados sabiam que o risco de ter câncer também aumenta. Muitos são os trabalhos mostrando os tipos de câncer ligados à obesidade, entre eles os de: útero, esôfago, intestino, rim, leucemia, mama, mieloma múltiplo (médula óssea), pâncreas, linfoma não-hodgkin e ovário. O excesso de gordura corporal parece ser o vilão. As células de gordura são ativas na produção hormonal e fatores de crescimento, características que contribuem para acelerar a divisão e a reprodução celular. E, quanto mais células se duplicam, maiores as chances de alguma replicação ser inadequada, originando uma célula maligna. A partir daí, estes hormônios adicionais levam a uma rápida reprodução das células cancerígenas.

 

As mulheres são o maior alvo. Cerca de 60% dos casos de câncer por causa da obesidade atingem mama ou útero e a ligação entre o peso e o risco de câncer também depende do estágio de vida da mulher. O risco de câncer de mama, pela obesidade, aumenta apenas depois da menopausa, implicado com a variação de estrogênios – mais abundantes no sangue das obesas.

Já o risco de câncer de intestino é maior antes deste período. Trabalho, publicado na população japonesa, sugere que diagnóstico de adenoma colorretal (tipo de neoplasia de intestino) foi maior nos indivíduos com maiores índices de massa corpórea e, à medida que houve a redução do peso, também houve a diminuição da prevalência da doença.

  

Uma pesquisa sueca descobriu que a obesidade influencia os riscos oferecidos pelo câncer de próstata. Homens obesos têm menos chance de desenvolver a doença, mas, se são vitimados por ela, a chance de morte aumenta. Possivelmente, isto é explicado pelo baixo nível de testosterona (esteróide sexual masculino) que esta diminuída em homens obesos, mas eles podem, em contrapartida, estarem mais expostos a uma forma mais agressiva do tumor, que depende menos de testosterona.

A preocupação com o peso adequado vai muito além de valores estéticos. O investimento em um estilo de vida mais saudável hoje é garantir benefícios para uma vida mais longa no futuro.

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O risco de glaucoma está associado aos problemas de tiróide, diz trabalho americano

 

A associação entre as doenças tiroidianas e o desenvolvimento do glaucoma (aumento da pressão intra-ocular) é um assunto importante, dada a alta prevalência de ambas as condições, na população em geral. Estudos, baseados em grandes amostras clínicas, seguem pesquisando, mais definitivamente, se as disfunções tiroidianas exacerbam os danos do glaucoma.

No hipertiroidismo da Doença de Graves, a doença oftalmológica leva a inflamações da musculatura ocular e gordura orbitária. Pode ocorrer a expansão de tecidos e partes moles do olho e a órbita não conseguir acomodar-se a esta nova situação. Na tentativa de adaptação, ocorre a protusão do globo ocular (conhecida como proptose ou exoftalmia), mas é uma tentativa de ‘descompressão’ espontânea e limitada, que, ao evoluir para casos mais graves, resulta em ceratite, úlceras por exposição, limitação da motilidade ocular. Também este aumento do volume orbitário, resultado da contração da musculatura extra-ocular contra a adesão intra-orbital ou congestão da órbita, pode causar diminuição no retorno venoso e glaucoma.

No caso do hipotiroidismo, há o acúmulo de substâncias chamadas mucopolissacárides (ou glicosaminoglicanos e hialunônicos), responsáveis por carregar a água que estava no interior das células para compartimento fora delas, resultando no edema (‘inchaço”), característico desta doença. O excesso destas substâncias também ocorre dentro da trabécula (tecido esponjoso e fino do olho, que drenam o líquido que preenche as câmaras oculares, ou humor aquoso).  O humor aquoso não é expelido na mesma quantidade em que é produzido e este excesso vai causar o aumento da pressão intra- ocular, afetando, progressivamente, a parte mais frágil do olho – o nervo óptico.

Há muitos mecanismos propostos pelos quais as doenças tiroidianas e seu tratamento afetam o desenvolvimento do glaucoma, afirma o Dr. J.M. Cross, da Universidade do Alabama, em Birmingham. O trabalho foi publicado por ele e sua equipe no British Journal of Ophthalmology com o objetivo de examinar a associação entre a história de problemas tiroidianos e glaucoma, referida pelo próprio paciente, em um estudo demográfico americano (US-based 2002 National Health Interview Survey), envolvendo 12.376 indivíduos.

A prevalência geral de glaucoma em toda a população estudada foi 4,6% e a prevalência geral de problemas tiroidianos foi de 11,9%. Nos indivíduos com problemas tiroidianos, 6,5% afirmavam também a associação com glaucoma, permanecendo significativa, mesmo depois de realizados os ajustes estatísticos para verificar as diferenças entre idade, sexo, raça e tabagismo. As limitações deste estudo foram: a confiabilidade da informação fornecida pelo próprio paciente, a falta de discriminação sobre o tipo de glaucoma e/ou a classificação exata do problema tiroidiano, bem como a severidade e tempo de duração destas doenças, a inabilidade em estabelecer a relação temporal entre o problema tiroidiano e glaucoma, a falta de informação sobre seguimento e tratamento dado aos pacientes.

A partir destes resultados, o estudo sustenta a hipótese de que desordens tiroidianas podem aumentar o risco de glaucoma, mas as pesquisas devem continuar, avaliando os potenciais mecanismos de ação e verificando se o tratamento para o problema tiroidiano também reduziria, subseqüentemente, o risco para o glaucoma.

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Adolescentes filhos de mães com alterações na glicemia têm maior chance de sobrepeso

 

Muito mais freqüente – e até motivo de preocupação – tem sido a prevalência da obesidade, síndrome metabólica e suas complicações na infância e adolescência. Comprovadamente, a maioria dos adolescentes transforma-se em adultos obesos.

Já é bem estudado, em algumas populações, que a maior freqüência de obesidade e diabetes na infância e adolescência ocorre em indivíduos filhos de mães diabéticas ou nos filhos daquelas que desenvolveram diabetes gestacional – o que demonstra que alterações metabólicas e hormonais maternas determinam morbidades futuras para os familiares.

O peso ao nascimento (tanto para bebês nascidos grandes, quanto pequenos, para idade gestacional) também está muito relacionado com o risco futuro de desenvolvimento tanto de obesidade quanto de diabetes.

Como podemos determinar, a partir do peso fetal, quem será obeso ou mesmo diabético? Ainda não está completamente esclarecido o mecanismo de ação que, a princípio, refere-se à hiperglicemia (aumento de açucar no sangue) materna, determinando uma hiperinsulinemia (aumento da insulina) no feto.

Pesquisas, cujas variações do metabolismo da glicose materna e o desenvolvimento fetais como a de Lindsay et al, em 2000, provaram que durante a gestação de mães com açúcar elevado no sangue, o pâncreas fetal trabalha forçadamente. Isso acontece porque há uma hiperestimulação prematura das células β pancreáticas, responsáveis pela produção de insulina, provocando a elevação da concentração desta substância no líquido amniótico – e estas alterações hormonais no feto desregulam centros nervosos centrais no controle do metabolismo e do peso.

Inúmeros trabalhos desenvolvidos depois mostram que em diferentes graus a hiperglicemia, à medida que avança de normal a intermediária, até chegar ao diabetes propriamente dito, associa-se diretamente à ocorrência de obesidade ou sobrepeso nos filhos.

Um trabalho realizado na Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unesp), por Buzinaro et al, estudou filhos de mães que tiveram o teste para diabetes normal, mas com algum valor de glicemia alterado (pré-diabetes) e filhos de mães com diabetes gestacional, comparando-os a um grupo de filhos de mulheres sem alterações. O peso de nascimento, índice de massa corporal (IMC) e maior ocorrência de sobrepeso e obesidade na infância e adolescência foi relatado nos casos de filhos de mães diabéticas. Também estavam presentes, em menor escala, nos filhos de mães pré-diabéticas.

Se houver a detecção precoce da hiperglicemia na gestação, provavelmente a ocorrência de sobrepeso e mesmo obesidade na adolescência poderá diminuir.

Além disso, os filhos destas mães precisam ser acompanhados e incentivados, o quanto antes seja possível, a ter hábitos de vida saudáveis, em carater preventivo.

preventivo.

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