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Estudo aposta em mecanismos genéticos comuns para as diferentes doenças

 

A associação entre diferentes doenças auto-imunes não é rara e, atualmente, pesquisa-se as razões comuns para que ocorram. Uma das associações estudadas é a presença concomitante de doença celíaca (que causa intolerância ao glúten) e doenças tiroidianas.

A doença celíaca é uma doença auto-imune do intestino delgado, devida à atrofia das vilosidades da mucosa, o que gera malabsorção dos nutrientes e tem, como resultado, diarréia crônica e suas repercussões: emagrecimento, distenção abdominal, inchaço das pernas e outros sinais de desnutrição protéico-calórica.

Geralmente aparece na infância, nas crianças com idade entre um e três anos, mas pode surgir a qualquer momento, inclusive nas pessoas adultas. Afeta de 0,5% a 1% da população em geral, acometendo duras vezes mais mulheres que homens. No Brasil, dos poucos dados existentes, o estudo de doadores de sangue saudáveis apresentou doença celíaca não diagnosticada na fração 1/681 dos estudados por Gandolfi et al, em 2000, revelando que também não é infreqüente em nosso meio.

A doença começa após a introdução de certos cereais – aveia, cevada, centeio ou trigo, que contém glúten – na alimentação. Estes alimentos têm gliadina – uma fração protéica – que é a responsável pelo dano na mucosa intestinal. As causas, ainda em estudo, poderiam ser: predisposição genética, falta enzima digestiva e formação de anticorpos. Os anticorpos presentes e importantes ao diagnóstico, os anticorpos anti-gliadina e anti-transglutaminase tecidual (tTG), têm valor equivalente ao da biópsia e podem ser obtidos em nosso meio. O anticorpo anti-endomísio, dosado até há pouco tempo, foi substituído – com vantagem – pelo anti-tTG.

Dr. Peter Elfstrom e sua equipe usaram dados dos registros nacionais suecos e conduziram um estudo pesquisando o risco de aparecimento da doença de tiróide em 14.021 indivíduos portadores portadores de doença celíaca, entre 1964 e 2003, comparados a 68.068 indivíduos saudáveis. Publicados no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism, os resultados mostraram que a doença celíaca esteve associada com hipotiroidismo (com chances quatro vezes maiores, se comparados aos indivíduos saudáveis), com tiroidite (3,6 vezes mais) e hipertireoidismo (2,9 vezes mais comum nos celíacos). Este é o primeiro estudo a apresentar um aumento significativo do risco do hipertireodismo nesses indivíduos. O reverso também foi comprovado: os portadores de doença tiroidiana desenvolviam um risco maior para associação com doença celíaca, quando comparados às pessoas sem qualquer alteração desta glândula.

Os mecanismos que agrupam a doença celíaca e a doença tiroidiana são desconhecidos. Talvez a associação mostre um aumento na auto-imunidade desses indivíduos, refletindo fatores de risco genéticos compartilhados, incluindo variações nos antígenos leucocitários humanos (abreviação em inglês de HLA) e do CTLA4 (cytotoxic T-lymphocyte-associated protein-4). De acordo com o Dr. Elfstrom, as estimativas do risco mais elevado da doença celíaca foram encontradas nas crianças, provavelmente porque a tiroidite auto-imune é a causa mais comum de tiroidopatia nessa faixa etária e, nos adultos, as causas não auto-imunes também são comuns. O investigador concluiu que os clínicos devem ficar atentos para as condições em que existam sintomas compatíveis com essas patologias e lembrarem-se de testar a possível associação, não tão incomum.

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