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Posts Tagged ‘excesso de peso’

Vencer preconceitos melhora a adesão ao tratamento e seus resultados 

Dois terços dos americanos estão acima do peso ou obesos, e no Brasil, os dados acerca do sobrepeso/obesidade demonstram um crescimento na sua prevalência entre as décadas de 70 e 90. Os dois aspectos mais apresentados como relacionados a este quadro são o aumento do fornecimento de energia pela dieta e redução da atividade física, configurando um “estilo de vida ocidental contemporâneo”. Mas, não bastando morbidades físicas, há uma oculta: a falta de apoio e julgamento com que muitos ainda tratam pessoas que se esforçam para perder peso.

Não é infreqüente o paciente ver-se na situação de que a única resposta que encontra é que a obesidade está na raiz de todos os seus problemas. A Dra. Rebecca Puhl, da Universidade de Yale e diretora do Rudd Center for Food Policy and Obesity, mostrou reclamações de pacientes sobre comentários em seus atendimentos: “você precisa aprender a ficar longe da mesa”, ou, comentário, em voz alta, enquanto o paciente estava na sala de espera: “se estas pessoas tivessem alguma força de vontade, não estariam aqui”. Nesta pesquisa, os pacientes obesos freqüentemente se sentiram estigmatizados nos serviços de saúde e eram mais propensos a evitar os cuidados preventivos de rotina, e quando o faziam, poderiam receber assistência comprometida. Assim, eles seriam vulneráveis à depressão, baixa auto-estima, ansiedade, e, consequentemente, menos propensos a sentir-se motivados a adotar mudanças de estilo de vida, envolvendo-se em padrões alimentares pouco saudáveis e evitando a atividade física, agravando o ganho de peso.

Simplificando, a comunicação inadvertidamente ostensiva ou formas sutis de preconceito, que afetam negativamente o cuidado com pacientes, deve ser reconhecida como grave, e os profissionais devem estar atentos em sua prática clínica. Mas, nem só nos consultórios presenciamos estas situações, cada vez mais, em supermercados, ônibus, cinemas, há olhares tendenciosos que sempre apontam para excesso de peso.

 

Estratégias que estimulam a boa interação e a perda de peso

É fundamental reconhecer as atitudes pessoais e suposições sobre o peso corporal, que podem gerar preconceitos ou estigmas. Pergunte a si mesmo:

• Preciso fazer suposições sobre o caráter, inteligência, saúde, estilo de vida ou comportamentos de alguém com base apenas no peso corporal?
• Estou confortável trabalhando/interagindo com pessoas de todos os tamanhos?
• Que tipo de feedback dou aos meus conhecidos/pacientes obesos?
• Sou sensível às necessidades e preocupações dos pacientes obesos?
• Quais são os estereótipos comuns sobre as pessoas obesas? Eu acredito que estas sejam verdadeiras ou falsas? Quais são as minhas razões para estas crenças?
Adotar uma comunicação eficaz é a chave para a prestação de cuidados de saúde com qualidade. Isso pode ser especialmente importante em pacientes obesos, principalmente aqueles que experimentaram as interações negativas com outros profissionais. É importante abordar as conversas sobre o peso corporal e a obesidade de forma sensível.
Pode ser difícil discutir sobre questões de saúde relacionadas ao excesso de peso, mas deve ser claro que toda a terminologia técnica usada não ofenda ninguém. Para que a conversa flua, o paciente deve se sentir confortável com os termos usados. Abordagens interativas, estilo de escuta empática aumentam a confiança, enfatizam a discrepância entre os objetivos pessoais e comportamentos atuais da saúde.
As perguntas abertas, sem julgamentos, amparam e aproximam as pessoas envolvidas:
• Como você se sente pronto para mudar seus hábitos alimentares e / ou comportamentos do estilo de vida?
• Como o seu peso atual afeta a sua vida agora?
• Que tipo de coisas que você fez no passado para mudar seus hábitos alimentares?
• Quais as estratégias que funcionaram para você no passado?
• Em uma escala de 1 a 10, como você estaria preparado para fazer mudanças em seus hábitos alimentares?
Respondendo a estas questões, a compreensão dos pacientes é mais clara e eles passam a ser agentes nas decisões que afetam sua saúde.
O tratamento deve também ser livre de preconceitos. Isso significa o reconhecimento de que a obesidade é produto de muitos fatores – uma interação complexa de contribuintes genéticos, biológicos, sociais, ambientais e psicológicos. Da mesma forma, é importante explorar todas as causas antes assumir que o peso corporal é o único alvo de intervenção.
Ao estabelecer as metas para o tratamento, a ênfase ocorre nas mudanças de comportamento e não apenas na diminuição de peso na balança. Definir metas específicas, realistas, mensuráveis e com respeito aos hábitos alimentares e atividade física aumenta a probabilidade de sucesso e mostra a importância da saúde ao invés de magreza. Finalmente, devemos discutir sobre benefícios da perda de peso que, mesmo pequena, pode resultar em uma melhoria considerável na saúde. Poucos dos pacientes muito obesos alcançam o peso “ideal”, mas muitos podem experimentar ganhos significativos para a saúde, com uma redução de 5% ou 10% no seu peso.
Buscar apoio, não só a gerência do peso, bem-estar, livre do estigma garante a dignidade e respeito num atendimento descomprometido de atitudes preconceituosas. O cuidado sensível e compassivo cria experiências de saúde que infundem esperança, ao invés de vergonha, nesta população de pacientes vulneráveis.

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Estudos correlacionam efeito benéfico da obesidade na massa óssea

 

O  mundo sofre de obesidade e osteoporose, isso é fato. São doenças crônicas, que muitas vezes não apresentam sintomas, e com alto potencial de complicações cardiológicas, diabetes tipo 2 e fraturas.

Atualmente, muito se tem comentado sobre a associação entre massa adiposa (gordura) e massa óssea (ossos). Estudos australianos mostram que a obesidade e a osteoporose estão sob forte regulação gênica e esta associação mostra fatores ambientais atuando na mesma direção, tanto na massa óssea quanto na massa adiposa.

Trabalho de Silva e cols., publicado em setembro de 2008 na ABE&M, encontrou maior prevalência de osteoporose nas mulheres de peso normal quando comparadas àquelas com obesidade, pelo sistema de absorção de dupla energia de Rx (DXA), um outro exame de medida comparável com a densitometria mineral óssea (DMO). Isto mostrou que poderia haver um efeito benéfico da obesidade na massa óssea, o que foi  para algumas – que se encontram fora de seu peso e felizes… – uma desforra. Então, poderiam falar com base científica que a obesidade fortalece os ossos?

 

Há vários mecanismos propostos para explicar esse efeito. Um deles envolve a adaptação do esqueleto ao aumento da força mecânica induzida pelo maior peso corporal, uma produção maior dos hormônios estrogênicos pelos adipócitos com conseqüente redução da remodulação óssea, além da resistência insulínica e seu aumento, que é usual em indivíduos obesos.

 

Mas, nem tudo é tão simples… Estudos verificaram que a qualidade óssea é que determina a predisposição a fraturas e, de certa forma, este dado é independente da DMO. Sabemos disto porque indivíduos osteopênicos (aqueles que ainda não se tornaram osteoporóticos) também apresentam risco para fraturas e 40 a 50% das fraturas vertebrais acontecem ainda nesta fase. Então, magro ou gordo, apresentando osteopenia, mesmo sem a osteoporose instalada, há ossos que podem já estar fragilizados.

 

Como vêem, a relação científica entre obesidade e osteoporose está longe de ser definida. O efeito positivo entre o excesso de peso e a taxa de osteoporose menor é bem mais complexo do que parece, envolve mecanismos não tão conhecidos, mostrando que, neste exame – mesmo específico para a doença osteoporose – nem sempre a elevação da DMO significa ossos mais fortes.

 

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