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Posts Tagged ‘Gestação’

Adolescentes filhos de mães com alterações na glicemia têm maior chance de sobrepeso

 

Muito mais freqüente – e até motivo de preocupação – tem sido a prevalência da obesidade, síndrome metabólica e suas complicações na infância e adolescência. Comprovadamente, a maioria dos adolescentes transforma-se em adultos obesos.

Já é bem estudado, em algumas populações, que a maior freqüência de obesidade e diabetes na infância e adolescência ocorre em indivíduos filhos de mães diabéticas ou nos filhos daquelas que desenvolveram diabetes gestacional – o que demonstra que alterações metabólicas e hormonais maternas determinam morbidades futuras para os familiares.

O peso ao nascimento (tanto para bebês nascidos grandes, quanto pequenos, para idade gestacional) também está muito relacionado com o risco futuro de desenvolvimento tanto de obesidade quanto de diabetes.

Como podemos determinar, a partir do peso fetal, quem será obeso ou mesmo diabético? Ainda não está completamente esclarecido o mecanismo de ação que, a princípio, refere-se à hiperglicemia (aumento de açucar no sangue) materna, determinando uma hiperinsulinemia (aumento da insulina) no feto.

Pesquisas, cujas variações do metabolismo da glicose materna e o desenvolvimento fetais como a de Lindsay et al, em 2000, provaram que durante a gestação de mães com açúcar elevado no sangue, o pâncreas fetal trabalha forçadamente. Isso acontece porque há uma hiperestimulação prematura das células β pancreáticas, responsáveis pela produção de insulina, provocando a elevação da concentração desta substância no líquido amniótico – e estas alterações hormonais no feto desregulam centros nervosos centrais no controle do metabolismo e do peso.

Inúmeros trabalhos desenvolvidos depois mostram que em diferentes graus a hiperglicemia, à medida que avança de normal a intermediária, até chegar ao diabetes propriamente dito, associa-se diretamente à ocorrência de obesidade ou sobrepeso nos filhos.

Um trabalho realizado na Universidade Federal do Estado de São Paulo (Unesp), por Buzinaro et al, estudou filhos de mães que tiveram o teste para diabetes normal, mas com algum valor de glicemia alterado (pré-diabetes) e filhos de mães com diabetes gestacional, comparando-os a um grupo de filhos de mulheres sem alterações. O peso de nascimento, índice de massa corporal (IMC) e maior ocorrência de sobrepeso e obesidade na infância e adolescência foi relatado nos casos de filhos de mães diabéticas. Também estavam presentes, em menor escala, nos filhos de mães pré-diabéticas.

Se houver a detecção precoce da hiperglicemia na gestação, provavelmente a ocorrência de sobrepeso e mesmo obesidade na adolescência poderá diminuir.

Além disso, os filhos destas mães precisam ser acompanhados e incentivados, o quanto antes seja possível, a ter hábitos de vida saudáveis, em carater preventivo.

preventivo.

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Estudo italiano mostra piora da função tiroidiana em gestantes que não tiveram boa suplementação de iodo

 

Mulheres que vivem em áreas com ingestão pobre em iodo deveriam utilizar sal iodado por, pelo menos, dois anos antes de engravidar, para prevenir falência tiroidiana durante a gestação e proteger o feto contra os efeitos adversos da deficiência de iodo no desenvolvimento cerebral.

Esta foi a conclusão de um estudo longitudinal prospectivo, conduzido na universidade de Messina (Itália) e publicado no Journal of Clinical Endocrinology and Metabolism, que verificou a função tiroidiana de 100 gestantes de uma área deficiente em iodo e que eram eutiroidianas (tinham função tiroidiana normal) entre as 6 e as 9 semanas de gestação. A maioria delas, 62 das mulheres, tinha o hábito de consumir sal iodado e o fizeram por, no mínimo, dois anos antes da gestação. Já as outras 38 não utilizavam sal iodado antes da gestação.

De acordo com o autor e coordenador da pesquisa, Dr. Francesco Vermiglio, a taxa de falência tiroidiana das mães que usaram o sal iodado por pouco tempo for quase seis vezes maior se comparada à das mães que já faziam uso do sal iodado previamente (38,8% vs. 6,4%).

Outra observação, feita pelos pesquisadores, foi que os níveis de tireoglobulina, T3 e T4 totais eram menores em mulheres que usaram o sal iodado antes de engravidar (quando comparados aos das que iniciaram durante a gestação) e que a média de T4 livre foi consistentemente mais alta e dentro da variação normal para os específicos trimestres, na maioria dos casos. Isso resultou em uma prevalência muito baixa de falência tiroidiana materna durante a gestação, cuja manifestação foi a hipotiroxemia (baixa concentração de hormônios tiroidianos) isolada que ocorreu, quase que exclusivamente, no final da gestação. Mesmo a hipotiroxemia materna leve pode interferir no desenvolvimento mental fetal.

Mesmo a mulher usando o sal iodado por anos, pode ainda não ser suficiente para manter o nível de iodo necessário durante a gestação. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o nível adequado de ingestão diária nos períodos de gestação e lactação é de 250 mcg. A suplementação de um polivitamínico pré-natal contendo quantidades adequadas de iodo deve ser fortemente encorajada especialmente para as mulheres (grávidas ou que pretendem engravidar) de regiões limítrofes ou deficientes na nutrição de iodo.

 

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Reposição do micronutriente reduz prevalência da tiroidite pós-parto nas gestantes predispostas

 

O selênio é importante na nutrição humana e animal. Está presente em uma enzima antioxidante (glutationa peroxidase), que atua impedindo a formação excessiva de radicais livres e no controle de processos envolvendo estresse orgânico. Também é necessário na tireóide, atuando na conversão do hormônio T4 em sua forma mais ativa,  T3.

A ingestão recomendada a um adulto é de 55 a 70 mcg (microgramas), e as principais fontes nutricionais onde ele está presente são a castanha-do-Pará (que contém 120 mcg em apenas uma unidade), nos frutos do mar, aves e carnes vermelhas, além de nos grãos de aveia e no arroz integral.

Sue deficiência pode causar dores e sensibilidade muscular, alterações no pâncreas e, estudos relatam, maior suscetibilidade em alguns casos de câncer. Seu excesso, em contrapartida, provoca fadiga muscular, alterações vasculares, queda de cabelo, unhas fracas, alterações no esmalte dos dentes, dermatites e vômito.

Devido à sua ação no sistema imunológico, combatendo os danos causados pelo excesso de oxidação, o selênio está associado à modulação de processos inflamatórios, como a tiroidite pós-parto. É uma doença caracterizada pelo hipertiroidismo seguida de hipotireoidismo, ambos transitórios ou permanentes. Ocorre em 5 a 9% das puérperas em até 12 meses pós-parto e é mais comum em mulheres já predispostas a desenvolver a doença, ou seja, que já tinham os anticorpos antitireodianos pré-existentes e, durante a gravidez, pelo aumento dos títulos destes auto-anticorpos, terminam com um distúrbio auto-imune precipitado por alterações imunológicas do puerpério. Pesquisas mostram a persistência do hipotireoidismo em 20 a 30% dos casos.

Em um estudo, realizado por Negro et al, 77 mulheres com anticorpos antitireoidianos foram suplementadas, durante e após a gestação, com 200 mcg de selênio ao dia. A prevalência de tiroidite pós-parto foi menor naquelas que usaram a suplementação (28,6%) quando comparadas às que não suplementaram (48,6%).

O autor concluiu que os resultados são promissores, mas ainda não se deve generalizar a suplementação como consenso a todas as gestantes, deverá ser uma indicação futura àquelas com sinais de tiroidite. Mas, o que deve, sim, ser uma prática, é a dosagem de hormônios na gestação e no puerpério, fazendo um rastreamento preventivo da tiroidite pós-parto.

 

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